terça-feira, 23 de agosto de 2011

Salas vazias na recuperação


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Os vereadores da comissão de Educação não têm visitado as escolas para conferir se há reposição das aulas
A reposição das aulas aos sábados para os alunos da rede municipal, por conta da greve, tem ocorrido com baixa frequência de estudantes e pouca produtividade. Nas escolas, educadores revelam insatisfação com o calendário estabelecido pela Secretaria Municipal de Educação (SME), acusando a Prefeitura de não estar preocupada em evitar prejuízo aos alunos, mas em punir os professores por conta da greve. A Prefeitura e a Comissão de Educação da Câmara dizem que as aulas estão ocorrendo normalmente.
O Diário do Nordeste visitou, no sábado, duas escolas municipais para saber se a reposição das aulas está ocorrendo efetivamente. Na escola José Sobreira de Amorim, no bairro Henrique Jorge, professores afirmam que a reposição é “um faz de conta”. Dos 285 alunos que deveriam estar assistindo aula no turno da manhã no sábado, quando o Diário esteve na escola, menos de 80 compareceram.
A justificativa é de que o calendário estabelecido pela SME não é condizente com a realidade da comunidade escolar. Conforme informaram os professores, os pais já chegaram a fazer um abaixo assinado para rever o calendário, mas a Prefeitura não tem dado oportunidade para negociações.
Na escola Monsenhor Linhares, no bairro Parquelândia, o último sábado marcou o início das reposições. Lá, onde foi dia de prova, o funcionamento foi normal. Conforme disse a diretora Edmeia Monteiro, marcar a prova para o sábado foi uma forma de estimular a presença dos alunos, mas ela espera que a frequência não seja reduzida nos sábados seguintes.
Dois meses após o fim da greve, impasses entre educadores e Governo continuam, e os alunos continuam prejudicados. No final do mês de junho, houve uma orientação da SME de que as aulas deveriam ser repostas durante quinze dias de julho e em três sábados mensais para garantir que os alunos da rede municipal tenham os 200 dias letivos anuais previstos no calendário escolar. Para isso, a Secretaria elaborou dois calendários, levando em conta o tempo de paralisação das escolas.
Resistência
Na ocasião, alguns professores mostraram resistência, alegando falta de diálogo para definir a questão. Agora, eles reclamam que falta acompanhamento das esferas de poder às aulas em reposição, afirmando que o cronograma estabelecido tem provocado evasão de alunos.
Segundo a SME, a frequência dos alunos, que estaria sendo acompanhada através de informações enviadas pelas escolas, tem sido produtiva. A Secretaria não pôde informar o número de escolas submetidas aos calendários de reposição sob a justificativa de que, apenas nesta semana, o relatório sobre a questão será finalizado.
“O discurso da Prefeitura é muito bonito, mas a prática é completamente irreal. Não há apoio pedagócico”, disparou o professor municipal Francisco Djacyr, atribuindo à omissão das esferas de poder os prejuízos dos alunos em relação a educação. “A comunidade escolar está totalmente desamparada pelo poder público”, criticou.
O presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Guilherme Sampaio (PT), disse que o colegiado não tem visitado as escolas especialmente para conferir a reposição das aulas, mas que tem acompanhado a situação através da SME e do Conselho Municipal de Educação.
Segundo ele, as visitas são feitas após denúncias, o que não ocorreu. Guilherme disse, ainda, que a Comissão tem discutido temas como gestão escolar, tempo integral e Plano Nacional de Educação para apresentar, em outubro, um documento com ações propositivas.
Efetivar
O líder do Governo na Câmara, Ronivaldo Maia explicou que a elaboração do calendário pela SME foi feito em consonância com a realidade de cada escola para garantir sua efetividade. “O legal da Prefeitura foi justamente isso. O mais importante não é fazer o calendário, mas efetivar a reposição”, disse.
Mas a diretora do Sindiute, Gardênia Baima, afirma que não houve negociação e, apesar do desacordo, a SME não considerou alternativas. “Por isso é que nós consideramos esse calendário uma retaliação da Prefeitura por conta da greve. É até uma contradição da gestão, que considerou como vitória nossa as 40 horas semanais e agora faz um calendário que não respeita isso”, declarou.

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