quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Computadores chegam às escolas públicas, mas não à sala de aula


Pesquisa aponta que falta capacitação para professores do uso pedagógico das máquinas e da internet

Apesar dos computadores terem chegado às escolas públicas do País, o uso da ferramenta e da internet ainda é tímido e conservador. A análise é dos responsáveis pela pesquisa TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) Educação 2010 realizada em 497 instituições de ensino de ensino municipais e estaduais de todas as regiões urbanas do Brasil. Divulgado nesta terça-feira, o estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil identifica usos e apropriações das TICs nas escolas públicas brasileiras.

Computador é melhor utilizado na sala de aula

Dados da pesquisa TIC Educação 2010 mostram que professores usam proporcionalmente mais a ferramenta na classe do que no laboratório de informática.
“Percebemos que há uma demanda reprimida de professores que queriam usar o computador em sala de aula, mas não têm como”, destaca Juliano Cappi, coordenador de pesquisas do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) do Comitê.
Possivelmente, há docentes levando o próprio notebook para a sala de aula, já que 41% afirmam levar o computador pessoal para a escola. “Deve-se repensar em levar a infraestrutura para a sala de aula, por meio de roteadores e notebooks, pois o uso do computador se mostra mais eficiente neste espaço”, aponta Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br.
Para os professores, a principal limitação para o uso das TICs no processo pedagógico é o baixo número de computadores por aluno; 77% afirmam que a quantidade insuficiente de máquinas atrapalha. De acordo com a pesquisa, a média de computadores instalados é de 23 máquinas por escola, sendo que apenas 18 funcionam efetivamente e cinco estão em manutenção.
Como há em média 800 alunos por escola no Brasil, segundo o Censo Escolar de 2010, a conta ficaria em um computador para cada 45 alunos.
Perfil do docente
O professor das escolas pesquisadas é um profissional com alto nível de formação – 73% participam de cursos de formação continuada, 95% têm ensino superior e 60% fizeram pós-graduação ou especialização – e conectado: 90% possuem computador em casa e 81% têm acesso à internet. Os números são bem acima da média nacional, que é de 31% de domicílios com computador e 27% das residências com acesso à web.
Metade dos entrevistados fez um curso específico de informática, mas ainda não sente segurança em sua habilidade. Para 64%, os alunos sabem mais sobre computador e internet do que eles e 24% afirmam que não sabem o suficiente para usar a máquina na aula. “Há uma lacuna na aplicação das atividades. O desafio para os professores é descobrir qual é o uso pedagógico das TICs”, afirma Camila Garroux, coordenadora da pesquisa. A pesquisadora aponta que uma possível solução para o problema seriam políticas públicas para o uso do computador focado na disciplina do docente.
A pesquisa será apresentada na próxima quarta-feira à secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva. Os dados devem servir de base para os governos traçarem políticas públicas educacionais.

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