quinta-feira, 7 de julho de 2011

O ‘custo Brasil’ da educação

É comum, muito mais do que deveria, ouvir professores dizendo que seus alunos não aprendem porque são provenientes de famílias pobres, ou de lares desestruturados, ou ainda porque os pais deles não sabem nem ler nem escrever. Recentemente, com o consenso crescente em torno do direito de todas as crianças e jovens ao aprendizado, e não apenas a uma vaga na escola, esse argumento vem sendo derrubado sistematicamente. Reafirma-se, sempre que possível, a defesa, em grande parte filosófica, do princípio segundo o qual todos os alunos são capazes de aprender.
Vencida a batalha sobre o direito ao aprendizado, é hora de se debruçar com seriedade sobre os limites que a realidade social do país impõe ao avanço da qualidade do ensino público. Algumas pessoas já estão fazendo isso, como mostra a reportagem de capa da revista Educação de junho, assinada pelo jornalista Paulo de Camargo. Entre as contribuições importantes que a matéria dá ao debate, estão os dados exclusivos que indicam que “as crianças e jovens das classes socioeconômicas mais baixas estão cerca de um ano atrasados em relação aos colegas”, calculados pelo economista Ernesto Martins Faria. Ou seja: não se pode simplesmente ignorar a realidade e as dificuldades específicas de cerca de 28,6 milhões de crianças e jovens com idade entre 0 e 17 anos que vivem em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 272,50).
Além de apresentar o quadro, a reportagem discute soluções. Em primeiro lugar, dizem os especialistas ouvidos, é preciso reconhecer o problema e adotar medidas que não são apenas educacionais, envolvem questões de saúde e renda, por exemplo. Mas também é fundamental que escolas e professores aprendam a lidar com essa realidade.
A crença no fracasso como único destino possível é um entrave a ser superado. “Entre 84% e 89,2% dos professores acham que os problemas de aprendizagem decorrem do desinteresse e da falta de esforço do aluno, sendo que 80% os creditam ao ‘meio em que o aluno vive’”, relata a matéria. Além disso, com origem (mais ou menos) distante das camadas mais pobres da população, os professores não sabem bem como lidar com esse Brasil. E nem aprendem isso nos cursos de pedagogia, geralmente mais preocupados com debates teóricos de pouca utilidade.

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